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DOM PEDRO II SE DESPEDE DO BRASIL NA ILHA GRANDE, CHORANDO PERGUNTA: ONDE FOI QUE EU ERREI?

Em 15 de novembro de 1889, sexta-feira, dia em que teve início a queda do Regime Monárquico no Brasil, D. Pedro II estava gozando férias em Petrópolis com a sua família.

“Deodoro acedeu ao apelo dos oficiais republicanos, dissolveu o governo e foi para casa dormir, com dispnéia, um tipo de falta de ar associado a doenças pulmonares ou cardíacas.” – Revista Veja. Até esse momento do dia, nem o próprio Marechal Deodoro, havia tomado conhecimento de qualquer decisão que se evidenciasse “Proclamação da República.”

D Pedro II, convencido do grave problema decidiu descer para o Rio.

D. PEDRO II E SUA FAMÍLIA PRISIONEIROS

Assim registrou Raul Pompéia o “procedimento enérgico para com os membros da dinastia dos príncipes do ex-império”, na manhã de sábado (16 de novembro) , dia oficial da Proclamação da República, na residência imperial, Paço da Cidade, transformada em prisão do Estado: “A todas as portas do edifício principal, na manhã de sábado e às portas das outras habitações dependentes, ligadas pelos passadiços, foram postadas sentinelas de infantaria e numerosos carabineiros montados. O saguão transformou-se em verdadeira praça de armas.

Só, nesse mesmo dia de sábado, um dia depois que havia descido com a família de Petrópolis para o Paço da Cidade, o imperador recebeu pelas mãos do major Sólon Ribeiro (o boateiro, Pai de Ana Emília Ribeiro, casada com o escritor Euclides da Cunha, e envolvida em tragédia passional.), a intimação do Governo Provisório, que teriam que partir para o exílio na madrugada seguinte. “Isabel chorou e Teresa Cristina, a imperatriz, afligiu-se quando Pedro comunicou o teor da mensagem que havia recebido: ele estava destituído, a República, proclamada, e a família real tinha 24 horas para deixar o país. “Pois, se tudo está perdido, haja calma. Eu não tenho medo do infortúnio”, disse, recuperando o controle depois de receber (…) o aviso de que teriam de sair de imediato, sob o manto da escuridão.” – Revista Veja/2007

“O objetivo declarado dos republicanos era evitar que, num embarque durante o dia, simpatizantes mais exaltados do novo regime hostilizassem o monarca e seus familiares. O objetivo real era o oposto exato: tornar mais difícil que viessem à tona manifestações de solidariedade a D. Pedro II.”

A condição de prisioneiro em que já se encontrava e a decisão covarde de Deodoro contra o próprio amigo e protetor, “provocou uma das poucas reclamações do imperador deposto. “Não sou nenhum (ou/escravo) fugido”, repetiu duas vezes. No mais, “nobre dignidade e perfeita segurança de si mesmo caracterizaram a compostura de Sua Magestade; nem ao menos uma palavra de queixa ou reprovação saiu de sua boca”, segundo descrição do embaixador da Áustria, conde Weisersheib, que no dia seguinte (17 novembro/domingo) acompanhou os netos do imperador até o navio que os levaria para a Europa.

André Rebouças (Tunel Rebouças), voluntariamente decidiu partir com eles para o exílio, e anos depois encontrado morto na África. Provavelmene suicidou-se. Registrou assim em seu diário de 16 de novembro: “Conclui partir para a Europa com a Família Imperial em lugar do Dr Benjamin Franklin Ramiz Galvão, impossibilitado de partir por numerosa família.”

LEVADOS PARA A ILHA GRANDE (ENSEADA DO ABRAÃO)

A família teve de ser encaminhada, de lancha, ao cruzador Parnaíba, “onde aguardariam a chegada dos três filhos da princesa e só então navegariam para a Ilha Grande, para embarcar no Alagoas. Na sexta-feira, Isabel e seu marido imaginando que poderia haver tumultos no Rio, haviam enviado seus três filhos para Petrópolis na sexta-feira. Péssima idéia.”

Além da mensagem intimando-o a deixar o país dentro de 24 horas, ofereceu-lhe, de uma vez, a quantia de 5 mil contos de réis para seu estabelecimento no exterior. Pedro (o melhor amigo de Deodoro), amargurado, recusou a oferta, “pedindo somente um travesseiro com terras do Brasil, para repousar a cabeça quando morresse,” e partiu às três da madrugada para Portugal. A recusa dessa “oferta humilhante” por parte do ex-imperador deixou Deodoro (o melhor inimigo de Pedro) indignado.

Veja como foi despejado o Imperador, a Monarquia e toda Família Imperial. Registro histórico de uma testemunha ocular: Raul Pompéia.

“Às três da madrugada de domingo, enquanto a cidade dormia tranquilizada pela vigilância tremenda do Governo Provisório, foi o Largo do Paço teatro de uma cena extraordinária, presenciada por poucos, tão grandiosa no seu sentido e tão pungente, quanto foi simples e breve. (…)

Às três da madrugada, menos alguns minutos, entrou pela praça um rumor de carruagem. Para as bandas do largo houve um ruidoso tumulto de armas e cavalos. As patrulhas que passavam de ronda retiraram-se todas a ocupar as entradas do largo, pelo meio do qual, através das árvores, iluminando sinistramente a solidão, perfilavam-se os postes melancólicos dos lampiões de gás.

Apareceu, então o préstito dos exilados.

Nada mais triste. Um coche negro, puxado a passo por dois cavalos que se adiantavam de cabeça baixa, como se dormissem andando. À frente duas senhoras de negro, a pé, cobertas de véus, como a buscar caminho para o triste veículo. Fechando a marcha, um grupo de cavaleiros, que a perspectiva noturna detalhava em negro perfil.
Divisavam-se vagamente, sobre o grupo, os penachos vermelhos das barretinas de cavalaria.

O vagaroso comboio atravessou em linha reta, do paço em direção ao molhe do cais Pharoux. Ao aproximar-se do cais, apresentaram-se alguns militares a cavalo, que formavam em caminho.

-É aqui o embarque? – perguntou timidamente uma das senhoras de preto aos militares. O cavaleiro, que parecia oficial, respondeu com um gesto largo de braço e uma atenciosa inclinação de corpo.

Por meio dos lampiões que ladeiam a entrada do molhe passaram as senhoras. Seguiu-as o coche fechado. Quase na extremidade do molhe, o carro parou e o Sr. D. Pedro de Alcântara apeou-se – um vulto indistinto entre outros vultos distantes – para pisar pela última vez a terra da pátria.

Do posto de observação em que nos achávamos, com a dificuldade, ainda mais da noite escura, não pudemos distinguir a cena do embarque. Foi rápido, entretanto. Dentro de poucos minutos ouvia-se um ligeiro apito, ecoava no mar o rumor igual da hélice da lancha, reaparecia o clarão da iluminação interior do barco e, sem que se pudesse distinguir nem um só dos passageiros, a toda a força de vapor, o ruído da hélice e o clarão vermelho afastavam-se da terra.” (Raul Pompéia)

Depois de demitido do cargo que ocupava na Biblioteca Nacional, em 1895, Raul Pompéia suicidou-se.
De lancha, foram levados para bordo do cruzador Parnaíba.

O engenheiro André Rebouças, introdutor, entre nós, do cimento em obras de grande magnitude, só às 09 e 30 h, encontrou com o ex-imperador no navio Parnaíba II, que partiu às 11 horas na direção do litoral de Angra dos Reis. Coube ao Capitão-de-Fragata José Carlos Palmeira, comandante do cruzador, a dolorosa incumbência de levar a comitiva até a enseada do Abraão, na Ilha Grande, onde deveria transferir-se para o Alagoas II, que a conduziria em sua viagem de exílio.

O navio Alagoas, então pertencente a Companhia Brasileira de Navegação a Vapor, posteriormente Lloyd Brasileiro, foi temporariamente incorporado à Esquadra em 1889, para conduzir à Família Imperial ao exílio na Europa. Com o mar bravio, as embarcações aportaram no recém ampliado cais do Lazareto, construído pelos engenheiros Henrique Alvares da Fonseca e seu auxiliar Francisco de Paula Freitas. Diz-se que ali, dentre todos consternados, o ex-imperador olha para o continente e perguntou: “Onde foi que errei?”. Nas primeiras horas do dia 18 de novembro(segunda-feira), sob o comando do Capitão-de-Longo-Curso José Maria Pessoa, deixou a Enseada do Abraão com destino a Portugal. Chegou a Lisboa em 7 de dezembro.

POIS BEM, HOJE NÃO SE VÊ UM SIMPLES PAPEL DE PÃO ESCRITO COM CANETA BIC POR TODA A ILHA GRANDE: DAQUI D. PEDRO II, O BRASILEIRO MAIS GENIAL DE TODOS, PARTIU DAQUI DEFINITIVAMENTE E NUNCA MAIS VOLTOU AO BRASIL.

“Un pueblo sin memoria es un pueblo sin futuro”.

Nilton Júdice

Nilton Judice é publicitário e criador da página Simplesmente Angra nas Redes Sociais.

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